Gilles Deleuze: A Imagem-Movimento (aula 1 de 21)

“O cinema inventou uma percepção. A percepção no cinema é diferente da percepção nas condições naturais. O cinema nos propõe uma percepção que as condições naturais não nos podem dar, a saber: a percepção de um movimento puro. E se as condições da reprodução do movimento no cinema são condições artificiais, isso não significa que aquilo que o cinema reproduz seja artificial. Todo o artifício do cinema serve à construção dessa percepção de um movimento puro; ou de um movimento que tende ao puro, ao seu estado puro. O que é o fato da percepção cinematográfica? É que no cinema o movimento não se acrescenta à imagem. O movimento não se adiciona à imagem. Não há a imagem e depois o movimento. O que o cinema apresenta é uma imagem-movimento (com um pequeno traço, com um hífen). É uma imagem-movimento”.

FILME: O Mínimo Gesto (1971) | Fernand Deligny

Por: Nicolas Philibert | Trad.: Rodrigo Lucheta  "Débil mental", dizem os especialistas. Tal como é no mínimo gesto, ele o é na vida cotidiana que levamos juntos há mais de 10 anos.... Tal como é, para nós ele é uma fonte inesgotável de riso o tempo todo, desde que chega. E neste filme como na … Continue lendo FILME: O Mínimo Gesto (1971) | Fernand Deligny

Jim Morrison: dor, violência, liberdade.

Entrevista a Lizze James em 1967   Lizze James - Acho que os admiradores dos Doors o encaram como um salvador, um líder messiânico que os libertará. O que você acha? Essa não é uma imensa responsabilidade? Jim Morrison - Isso é um absurdo. Como se pode libertar alguém que não tem coragem para levantar-se … Continue lendo Jim Morrison: dor, violência, liberdade.

O Barco Bêbado, poema de Arthur Rimbaud

“O Barco Bêbado” (1871), poema de Arthur Rimbaud, vivido por Léo Ferré, com tradução de Augusto de Campos.     O Barco Bêbado - Arthur Rimbaud Quando eu atravessava os Rios impassíveis, Senti-me libertar dos meus rebocadores. Cruéis peles-vermelhas com uivos terríveis Os espetaram nus em postes multicores. Eu era indiferente à carga que trazia, … Continue lendo O Barco Bêbado, poema de Arthur Rimbaud

Transmutação da tristeza em Kafka, por Maurice Blanchot

por Maurice Blanchot | Trad.: Rodrigo Lucheta O mistério é o seguinte: eu sou infeliz, eu me sento à minha mesa e escrevo “eu sou infeliz”. Como isso é possível? Vemos porquê essa possibilidade é estranha e, até certo ponto, escandalosa. Meu estado de infelicidade significa esgotamento de minhas forças; a expressão da minha infelicidade, aumento de forças. … Continue lendo Transmutação da tristeza em Kafka, por Maurice Blanchot

O Processo – um filme perturbador

"No nível da narrativa, todos representam o seu papel: a acusação, a defesa, a mesa, os advogados, o rito. O Processo controla a todos, envolve e desenvolve a todos em sua passagem. Esse nível da representação, da narrativa, é o mais visível do filme, juntamente, claro, com os gestos dos envolvidos, gestos que escapam ao script e que preenchem o sentido do que se passa: os gestos deixam ver as cordas que movem todos os títeres - ainda que não nos revelem quem seja o titeriteiro. O Processo, como eu disse, é invisível."

O Direito à Literatura, por Antônio Cândido

O assunto que me foi confiado nesta série é aparentemente meio desligado dos problemas reais: “Direitos humanos e literatura”. As maneiras de abordá-lo são muitas, mas não posso começar a falar sobre o tema específico sem fazer algumas reflexões prévias a respeito dos próprios direitos humanos. É impressionante como em nosso tempo somos contraditórios neste … Continue lendo O Direito à Literatura, por Antônio Cândido

“A Morte de Empédocles”, filme de Jean-Marie Straub & Danièle Huillet.

Link para baixar o torrent e a legenda: https://goo.gl/KMR3Hd Uma pedagogia para a grandeza, para o excepcional, para o desmedido. Um olhar para a altivez do criminoso, para o desgraçado sem remorso... e também para o outro lado, para a baixeza organizada e sustentada pelo poder. Um filme que desdobra o verso de Leminski: “não … Continue lendo “A Morte de Empédocles”, filme de Jean-Marie Straub & Danièle Huillet.

“Impossibilidade”, por Charles Bukowski

"Van Gogh escrevendo para o irmão pedindo tinta Hemingway testando seu rifle Céline fracassando como médico a impossibilidade de ser humano Villon expulso de Paris por ser um ladrão Faulkner bêbado nas sarjetas de sua cidade a impossibilidade de ser humano Burroughs matando sua mulher com um tiro Mailer apunhalando a sua a impossibilidade de … Continue lendo “Impossibilidade”, por Charles Bukowski

As cartas de Nise da Silveira a Spinoza

CARTA I Meu caro Spinoza, Você é mesmo singular. Através dos séculos continua despertando admirações fervorosas, oposições, leituras diferentes de seus livros, não só no mundo dos filósofos, mas, curiosamente, atraindo pensadores das mais diversas áreas do saber, até despretensiosos leitores que insistem, embora sem formação filosófica (e este é o meu caso), no difícil … Continue lendo As cartas de Nise da Silveira a Spinoza

Palestra de Gilles Deleuze: “O que é o ato de criação?”

Palestra de Gilles Deleuze proferida em março de 1987. A comunicação trata da natureza da ideia em suas diferentes possibilidades de expressão, notadamente, aqui, na filosofia, na literatura e no cinema. O video foi legendado em português e pontuado de trechos de filmes cujos diretores Deleuze menciona no decorrer da comunicação.   https://dailymotion.com/video/x1dlfsr Gilles Deleuze … Continue lendo Palestra de Gilles Deleuze: “O que é o ato de criação?”

Dobra deleuzeana do pensamento, por Jean-Luc Nancy

Por Jean-Luc Nancy | Trad.: Maria Cristina Franco Ferraz Mais do que uma filosofia de Deleuze, situada em algum lugar no panorama ou na episteme da época, haveria uma dobra deleuzeana do pensamento: uma marca, um exercício, um habitus (certamente não um hábito) que não se evitaria de partilhar mais ou menos com esse pensamento, pelo … Continue lendo Dobra deleuzeana do pensamento, por Jean-Luc Nancy

Julio Bressane: Cinema Deleuze

Cinema Deleuze “As conchas são os ossos do oceano, disperso esqueleto, desvago”, escreve Guimarães Rosa em “Aquário”, estamos em maio de 1954, é minha travessia na água-viva, sorvo e inflamo Deleuze como flor colhida num sonho, Jerônimo lutador no deserto, argonauta do trans e observador do des (o temível prefixo que transtorna o radical!), passageiro … Continue lendo Julio Bressane: Cinema Deleuze