Arte, Experimentação

O Barco Bêbado, poema de Arthur Rimbaud

“O Barco Bêbado” (1871), poema de Arthur Rimbaud, vivido por Léo Ferré, com tradução de Augusto de Campos.     O Barco Bêbado - Arthur Rimbaud Quando eu atravessava os Rios impassíveis,Senti-me libertar dos meus rebocadores.Cruéis peles-vermelhas com uivos terríveisOs espetaram nus em postes multicores. Eu era indiferente à carga que trazia,Gente, trigo flamengo ou… Continuar lendo O Barco Bêbado, poema de Arthur Rimbaud

Arte, Filosofia

Transmutação da tristeza em Kafka, por Maurice Blanchot

por Maurice Blanchot | Trad.: Rodrigo Lucheta O mistério é o seguinte: eu sou infeliz, eu me sento à minha mesa e escrevo “eu sou infeliz”. Como isso é possível? Vemos porquê essa possibilidade é estranha e, até certo ponto, escandalosa. Meu estado de infelicidade significa esgotamento de minhas forças; a expressão da minha infelicidade, aumento de forças.… Continuar lendo Transmutação da tristeza em Kafka, por Maurice Blanchot

Arte, Política

O Direito à Literatura, por Antônio Cândido

O assunto que me foi confiado nesta série é aparentemente meio desligado dos problemas reais: “Direitos humanos e literatura”. As maneiras de abordá-lo são muitas, mas não posso começar a falar sobre o tema específico sem fazer algumas reflexões prévias a respeito dos próprios direitos humanos. É impressionante como em nosso tempo somos contraditórios neste… Continuar lendo O Direito à Literatura, por Antônio Cândido

Arte, Experimentação, Filosofia

As cartas de Nise da Silveira a Spinoza

CARTA I Meu caro Spinoza, Você é mesmo singular. Através dos séculos continua despertando admirações fervorosas, oposições, leituras diferentes de seus livros, não só no mundo dos filósofos, mas, curiosamente, atraindo pensadores das mais diversas áreas do saber, até despretensiosos leitores que insistem, embora sem formação filosófica (e este é o meu caso), no difícil… Continuar lendo As cartas de Nise da Silveira a Spinoza

Arte, Filosofia

Palestra de Gilles Deleuze: “O que é o ato de criação?”

Palestra de Gilles Deleuze proferida em março de 1987. A comunicação trata da natureza da ideia em suas diferentes possibilidades de expressão, notadamente, aqui, na filosofia, na literatura e no cinema. O video foi legendado em português e pontuado de trechos de filmes cujos diretores Deleuze menciona no decorrer da comunicação.   https://dailymotion.com/video/x1dlfsr Gilles Deleuze… Continuar lendo Palestra de Gilles Deleuze: “O que é o ato de criação?”

Arte, Experimentação

[Conto] Maura Lopes Cançado: ‘No Quadrado de Joana’

Por: Maura Lopes Cançado Maura Lopes Cançado (1929 – 1993) teve uma vida tumultuada. De jovem da alta sociedade de Belo Horizonte, onde muito moça chegou a ser aviadora, por ser muito “avançada” acabou sendo rejeitada pela “tradicional família mineira”, passando a viver uma existência precaríssima e fatal no Rio de Janeiro. Diagnosticada como esquizofrênica,… Continuar lendo [Conto] Maura Lopes Cançado: ‘No Quadrado de Joana’

Arte, Filosofia

Friedrich Nietzsche: Para a teoria do estilo. (carta a Lou Salomé)

Por: Friedrich Nietzsche | Trad.: José Carlos Martins Barbosa.   Para a teoria do estilo.   1. A primeira coisa necessária é vida: o estilo deve estar vivo. 2. O estilo deve ser apropriado a ti em vista de outra pessoa bem definida com a qual queres te comunicar (lei da dupla relação). 3. Antes de escrever, deveríamos… Continuar lendo Friedrich Nietzsche: Para a teoria do estilo. (carta a Lou Salomé)

Arte, Filosofia

Spinoza, poema de Machado de Assis

Spinoza Gosto de ver-te, grave e solitário, Sob o fumo de esquálida candeia, Nas mãos a ferramenta de operário, E na cabeça a coruscante idéia. E enquanto o pensamento delineia Uma filosofia, o pão diário A tua mão a labutar granjeia E achas na independência o teu salário. Soem cá fora agitações e lutas, Sibile… Continuar lendo Spinoza, poema de Machado de Assis

Arte, Filosofia

Baruch Spinoza, poema de Jorge Luis Borges

  BARUCH SPINOZA Ocidente a janela em bruma de ouro A luz evoca. Assíduo, o manuscrito Já prenhe de infinito a hora aguarda. Alguém nesta penumbra a Deus constrói, Um homem Deus engendra. É um judeu De tristes olhos e cítrea pele. O tempo o leva como leva um rio A folha que nas águas… Continuar lendo Baruch Spinoza, poema de Jorge Luis Borges