Gilles Deleuze: A Imagem-Movimento (aula 1 de 21)

“O cinema inventou uma percepção. A percepção no cinema é diferente da percepção nas condições naturais. O cinema nos propõe uma percepção que as condições naturais não nos podem dar, a saber: a percepção de um movimento puro. E se as condições da reprodução do movimento no cinema são condições artificiais, isso não significa que aquilo que o cinema reproduz seja artificial. Todo o artifício do cinema serve à construção dessa percepção de um movimento puro; ou de um movimento que tende ao puro, ao seu estado puro. O que é o fato da percepção cinematográfica? É que no cinema o movimento não se acrescenta à imagem. O movimento não se adiciona à imagem. Não há a imagem e depois o movimento. O que o cinema apresenta é uma imagem-movimento (com um pequeno traço, com um hífen). É uma imagem-movimento”.

FILME: O Mínimo Gesto (1971) | Fernand Deligny

Por: Nicolas Philibert | Trad.: Rodrigo Lucheta  "Débil mental", dizem os especialistas. Tal como é no mínimo gesto, ele o é na vida cotidiana que levamos juntos há mais de 10 anos.... Tal como é, para nós ele é uma fonte inesgotável de riso o tempo todo, desde que chega. E neste filme como na … Continue lendo FILME: O Mínimo Gesto (1971) | Fernand Deligny

O método de dramatização (1967), por Gilles Deleuze

Sob a organização, assim como sob a especificação, encontramos tão-somente dinamismos espaço-temporais: isto é, agitações de espaço, buracos de tempo, puras sínteses de velocidades, de direções e de ritmos. Então, as características mais gerais de ramificação, de ordem e de classe, e até as características genéricas e específicas, já dependem de tais dinamismos ou de tais direções de desenvolvimento. E, simultaneamente, sob os fenômenos partitivos da divisão celular, encontram-se ainda instâncias dinâmicas, migrações celulares, dobramentos, invaginações, estiramentos que constituem uma “dinâmica do ovo”. A esse respeito, o mundo inteiro é um ovo.

Jim Morrison: dor, violência, liberdade.

Entrevista a Lizze James em 1967   Lizze James - Acho que os admiradores dos Doors o encaram como um salvador, um líder messiânico que os libertará. O que você acha? Essa não é uma imensa responsabilidade? Jim Morrison - Isso é um absurdo. Como se pode libertar alguém que não tem coragem para levantar-se … Continue lendo Jim Morrison: dor, violência, liberdade.

O Barco Bêbado, poema de Arthur Rimbaud

“O Barco Bêbado” (1871), poema de Arthur Rimbaud, vivido por Léo Ferré, com tradução de Augusto de Campos.     O Barco Bêbado - Arthur Rimbaud Quando eu atravessava os Rios impassíveis, Senti-me libertar dos meus rebocadores. Cruéis peles-vermelhas com uivos terríveis Os espetaram nus em postes multicores. Eu era indiferente à carga que trazia, … Continue lendo O Barco Bêbado, poema de Arthur Rimbaud

“Imagens-Deleuze”, por Roger-Pol Droit

por Roger-Pol Droit | Trad.: Rodrigo Lucheta   Quando eu já não souber amar e admirar pessoas ou coisas (não muitas), me sentirei morto, mortificado. Gilles Deleuze, Conversações.   Sem clichês calculados. Nenhum ponto de vista. De Gilles Deleuze me restam imagens de amador. Não são fotografias. Nada além de esboços mentais, que eu sou o … Continue lendo “Imagens-Deleuze”, por Roger-Pol Droit

Gilles Deleuze: Duas questões sobre a droga.

por Gilles Deleuze | Trad.: Guilherme Ivo São apenas duas questões. Vê-se muito bem que não se sabe o que fazer com as drogas (mesmo os drogados), mas também não se sabe como falar delas. Ora se invocam prazeres, difíceis de descrever e que já supõem a droga. Ora, ao contrário, invocam-se, causalidades demasiadamente gerais, extrínsecas … Continue lendo Gilles Deleuze: Duas questões sobre a droga.

Sennett & Foucault: Sexualidade e Solidão

por Richard Sennett e Michel Foucault | Trad.: Lígia Melo da Costa, Maria Beatriz Chagas Lucca e Sérgio Augusto Chagas de Laia Richard Sennett: Há poucos anos atrás, Michel Foucault e eu descobrimos que estávamos interessados no mesmo problema, em períodos históricos bem diferentes. O problema é por que a sexualidade se tornou tão importante para … Continue lendo Sennett & Foucault: Sexualidade e Solidão

As cartas de Nise da Silveira a Spinoza

CARTA I Meu caro Spinoza, Você é mesmo singular. Através dos séculos continua despertando admirações fervorosas, oposições, leituras diferentes de seus livros, não só no mundo dos filósofos, mas, curiosamente, atraindo pensadores das mais diversas áreas do saber, até despretensiosos leitores que insistem, embora sem formação filosófica (e este é o meu caso), no difícil … Continue lendo As cartas de Nise da Silveira a Spinoza

Michel Foucault: “A Escrita de Si”

por Michel Foucault | trad.: Elisa Monteiro & Inês Autran Dourado Barbosa   A Vita Antonii de Atanásio apresenta a anotação escrita das ações e dos pensamentos como um elemento indispensável à vida ascética: "Eis uma coisa a ser observada para nos assegurarmos de não pecar. Consideremos e escrevamos, cada um, as ações e os … Continue lendo Michel Foucault: “A Escrita de Si”

Julio Bressane: Cinema Deleuze

Cinema Deleuze “As conchas são os ossos do oceano, disperso esqueleto, desvago”, escreve Guimarães Rosa em “Aquário”, estamos em maio de 1954, é minha travessia na água-viva, sorvo e inflamo Deleuze como flor colhida num sonho, Jerônimo lutador no deserto, argonauta do trans e observador do des (o temível prefixo que transtorna o radical!), passageiro … Continue lendo Julio Bressane: Cinema Deleuze

Jean-Luc Godard: Aprendisagem do Descontínuo

por Ruy Gardnier Jean-Luc Godard: Aprendisagem do Descontínuo A nuca de Jean Seberg. Ou de Patricia Franchini, pois é ela a personagem, filmada de trás, flagrada no assento do carona de um conversível passeando pelas ruas de Paris. Enquanto ela conversa com o namorado-motorista, que permanece fora de quadro, a imagem salta diversas vezes, cortando … Continue lendo Jean-Luc Godard: Aprendisagem do Descontínuo

Witold Gombrowicz: Quanto mais inteligência, mais estupidez

A razão é demasiado sabia para poder defender-se da sua estupidez mais estúpida. Quanto mais nobre é a qualidade da razão, tanto mais infame é a categoria da estupidez que lhe corresponde. Os métodos da episteme humanista ocidental são tanto mais exatos quanto mais indefinido é seu objeto, tanto mais científicos quanto menos se presta … Continue lendo Witold Gombrowicz: Quanto mais inteligência, mais estupidez