Arte, Experimentação, Filosofia

País de dançarinos e de ritmos mancos | por Jérôme Cler

A impossibilidade da leveza, a elegância insensata dos dançarinos – entretanto frequentemente bastante corpulentos -, a alegria como virtude no centro desse mundo de onde todo pathos parecia estar ausente. Potência da repetição: a música pega sempre no seu círculo, nada mais do que um círculo ou uma espiral, e a melodia de dança se fecha sobre si mesma, na vila, e se junta em direção ao seu centro sempre aproximado pelos dançarinos.

Filosofia, Política

Como se pode ser deleuzeano? | por Arnaud Villani

Se eu tivesse que responder em uma frase à questão “Como se pode ser deleuzeano?”, eu responderia sem hesitar: por paixão, porque se trata de um dos únicos filósofos que gosta tanto da vida que ele a deslizou por trás de todas as suas palavras. Como ele, eu amo a vida como conjunto dos processos que se opõem à morte, mas processos que não faltam ao inorgânico. A vida é resistência. E nós somos responsáveis por ela em cada um de nossos gestos.

Experimentação, Filosofia

Gilles Deleuze: um misticismo ateu | por René Schérer

Ora, esse misticismo, ele é possível; o problema é bem colocado, e central – Fourier teria escrito pivotal, ou ocupado um lugar privilegiado – dessa aliança entre o empirismo e o misticismo; entre a ordem dos fatos e o que Kant chamava, no seu opúsculo sobre Os sonhos de um visionário, a perda no transcendente. Obstáculo a contornar, ou melhor, pedra de toque de uma reviravolta paradoxal. Posta assim em evidência, logo à entrada, essa pedra é advertência e signo de reconhecimento. Não entre aqui quem não seja místico.

Filosofia

Deleuze de costas e de frente | por Jean-Pierre Faye

Por: Jean-Pierre Faye | Trad.: Rodrigo Lucheta   “Cada combinação frágil é uma potência de vida que se afirma”. É o enigma deleuzeano, aquele do filósofo “sem pulmões” – mas que fôlego... Penso em sua definição, ou antes em seu retrato de Nietzsche: “grand vivant de saúde frágil”. Ele mesmo cita a descrição nietzscheana: “O… Continuar lendo Deleuze de costas e de frente | por Jean-Pierre Faye

Filosofia

Deleuze milenar, ou Para além do túmulo.

“A dobra exprime o jogo de uma vida, ou de uma criança, ou de uma obra ao longo da crista ou da costura da imanência, dos “rincões de imanência” (...). Do mesmo modo, Deleuze diz a Parnet n’O Abecedário que a criação funciona fundamentalmente como um modo de resistência. Ele cita Primo Levi a fim de sugerir que o artista é aquele que libera uma vida, uma vida potente, uma vida mais que pessoal, e não somente sua vida (“R” de Resistência). Ora, à objeção de Parnet sobre o suicídio de Levi, indicando que a arte talvez não seja suficiente para realizar tal liberação, Deleuze responde com rigor que sim, Levi suicidou-se “pessoalmente”, incapaz de carregar o fardo de sua vida pessoal; mas as palavras e as obras de Primo Levi restam todavia como aquilo que Deleuze chama de “resistências eternas”, impessoais, para além da instância dos acontecimentos pessoais”.

Experimentação, Filosofia

“Imagens-Deleuze”, por Roger-Pol Droit

por Roger-Pol Droit | Trad.: Rodrigo Lucheta   Quando eu já não souber amar e admirar pessoas ou coisas (não muitas), me sentirei morto, mortificado. Gilles Deleuze, Conversações.   Sem clichês calculados. Nenhum ponto de vista. De Gilles Deleuze me restam imagens de amador. Não são fotografias. Nada além de esboços mentais, que eu sou o… Continuar lendo “Imagens-Deleuze”, por Roger-Pol Droit