Jim Morrison: dor, violência, liberdade.

Entrevista a Lizze James em 1967   Lizze James - Acho que os admiradores dos Doors o encaram como um salvador, um líder messiânico que os libertará. O que você acha? Essa não é uma imensa responsabilidade? Jim Morrison - Isso é um absurdo. Como se pode libertar alguém que não tem coragem para levantar-se … Continue lendo Jim Morrison: dor, violência, liberdade.

O Processo – um filme perturbador

"No nível da narrativa, todos representam o seu papel: a acusação, a defesa, a mesa, os advogados, o rito. O Processo controla a todos, envolve e desenvolve a todos em sua passagem. Esse nível da representação, da narrativa, é o mais visível do filme, juntamente, claro, com os gestos dos envolvidos, gestos que escapam ao script e que preenchem o sentido do que se passa: os gestos deixam ver as cordas que movem todos os títeres - ainda que não nos revelem quem seja o titeriteiro. O Processo, como eu disse, é invisível."

“Após a orgia”, por Jean Baudrillard

por Jean Baudrillard | trad.: Estela dos Santos Abreu Se fosse caracterizar o atual estado de coisas, eu diria que é o da pós-orgia. A orgia é o momento explosivo da modernidade, o da liberação em todos os domínios. Liberação política, liberação sexual, liberação das forças produtivas, liberação das forças destrutivas, liberação da mulher, da … Continue lendo “Após a orgia”, por Jean Baudrillard

O Direito à Literatura, por Antônio Cândido

O assunto que me foi confiado nesta série é aparentemente meio desligado dos problemas reais: “Direitos humanos e literatura”. As maneiras de abordá-lo são muitas, mas não posso começar a falar sobre o tema específico sem fazer algumas reflexões prévias a respeito dos próprios direitos humanos. É impressionante como em nosso tempo somos contraditórios neste … Continue lendo O Direito à Literatura, por Antônio Cândido

Gilles Deleuze: Duas questões sobre a droga.

por Gilles Deleuze | Trad.: Guilherme Ivo São apenas duas questões. Vê-se muito bem que não se sabe o que fazer com as drogas (mesmo os drogados), mas também não se sabe como falar delas. Ora se invocam prazeres, difíceis de descrever e que já supõem a droga. Ora, ao contrário, invocam-se, causalidades demasiadamente gerais, extrínsecas … Continue lendo Gilles Deleuze: Duas questões sobre a droga.

Os engajamentos políticos de Gilles Deleuze, por François Dosse

Os Engajamentos Políticos de Gilles Deleuze[i] por François Dosse[ii] | Trad.: Germaine Mandelsaft O horizonte político, no sentido amplo do termo, atravessa o pensamento de Gilles Deleuze e seu trajeto intelectual é pontuado por engajamentos. No entanto, sua posição difere daquela do intelectual engajado, porta-voz da justiça, frente à razão de Estado, à maneira de Sartre, durante … Continue lendo Os engajamentos políticos de Gilles Deleuze, por François Dosse

FILME: O Mínimo Gesto (1971) | Fernand Deligny

Por: Nicolas Philibert | Trad.: Rodrigo Lucheta  "Débil mental", dizem os especialistas. Tal como é no mínimo gesto, ele o é na vida cotidiana que levamos juntos há mais de 10 anos.... Tal como é, para nós ele é uma fonte inesgotável de riso o tempo todo, desde que chega. E neste filme como na … Continue lendo FILME: O Mínimo Gesto (1971) | Fernand Deligny

“Essa crise (que não é só econômica…)”, por Félix Guattari

"Falamos uma outra linguagem. Eles dizem representação. Nós dizemos experimentação. Eles dizem identidade. Nós dizemos multidão. Eles dizem controlar a periferia. Nós dizemos mestiçar a cidade. Eles dizem dívida. Nós dizemos cooperação sexual e interdependência somática. Eles dizem capital humano. Nós dizemos aliança multi-espécies. Eles dizem carne de cavalo nos nossos pratos. Nós dizemos montemos … Continue lendo “Essa crise (que não é só econômica…)”, por Félix Guattari

“A Morte de Empédocles”, filme de Jean-Marie Straub & Danièle Huillet.

Link para baixar o torrent e a legenda: https://goo.gl/KMR3Hd Uma pedagogia para a grandeza, para o excepcional, para o desmedido. Um olhar para a altivez do criminoso, para o desgraçado sem remorso... e também para o outro lado, para a baixeza organizada e sustentada pelo poder. Um filme que desdobra o verso de Leminski: “não … Continue lendo “A Morte de Empédocles”, filme de Jean-Marie Straub & Danièle Huillet.

Félix Guattari entrevista Luiz Inácio Lula da Silva (1982)

Para o leitor brasileiro o entrevistado, Lula, dispensa apresentações. O mesmo não se dá com o entrevistador, o francês Félix Guattari. Se quiséssemos apresentá-lo convenientemente, seria preciso lembrar suas inúmeras facetas: a do psicanalista que trabalha há anos na clínica psiquiátrica de La Borde; a do crítico literário, coautor de um brilhante ensaio sobre Kafka; … Continue lendo Félix Guattari entrevista Luiz Inácio Lula da Silva (1982)

Sennett & Foucault: Sexualidade e Solidão

por Richard Sennett e Michel Foucault | Trad.: Lígia Melo da Costa, Maria Beatriz Chagas Lucca e Sérgio Augusto Chagas de Laia Richard Sennett: Há poucos anos atrás, Michel Foucault e eu descobrimos que estávamos interessados no mesmo problema, em períodos históricos bem diferentes. O problema é por que a sexualidade se tornou tão importante para … Continue lendo Sennett & Foucault: Sexualidade e Solidão

É inútil revoltar-se?, por Michel Foucault

Por Michel Foucault | Trad.: Vera Lúcia Avellar Ribeiro   "Para que o xá se vá, estamos prontos para morrer aos milhares", diziam os iranianos no verão passado. E o aiatolá, recentemente: "Que o Irã sangre, para que a revolução se fortaleça." Estranho eco entre essas frases que parecem se encadear. O horror da segunda condena a embriaguez … Continue lendo É inútil revoltar-se?, por Michel Foucault

Antonin Artaud: O Suicídio É Uma Solução? (1925)

Por Antonin Artaud | Trad.: Cláudio Willer O Suicídio É Uma Solução? [resposta de Artaud a uma enquete surrealista] Não, o suicídio ainda é uma hipótese. Quero ter o direito de duvidar do suicídio assim como de todo o restante da realidade. É preciso, por enquanto e até segunda ordem, duvidar atrozmente, não propriamente da existência, … Continue lendo Antonin Artaud: O Suicídio É Uma Solução? (1925)

Antonin Artaud: Carta ao Papa (1925)

Por Antonin Artaud | Trad.: Cláudio Willer O confessionário não é você, oh Papa, somos nós; entenda-nos e que os católicos nos entendam. Em nome da Pátria, em nome da Família, você promove a venda das almas, a livre trituração dos corpos. Temos, entre nós e nossas almas, suficientes caminhos para percorrer, suficientes distâncias para que neles … Continue lendo Antonin Artaud: Carta ao Papa (1925)