Filosofia

5 aulas sobre Nietzsche | por Oswaldo Giacóia

Ele está querendo dizer o seguinte: é muito possível que nós sem questionar que sejamos de fato efetivos, sem questionar que existamos, talvez essa nossa existência, tal como nós julgamos o existir, não seja senão algo simplesmente aparente, como o arco-íris. O arco-íris não remete a nenhuma coisa de real, sólida, subsistente, mas simplesmente um efeito luminoso. Então, vejam: se nós admitirmos como admitiu Descartes, que talvez possa haver uma potência de falsidade na essência das coisas, então quem é que garante que, na verdade, nós não somos nada mais nada menos do que pensamentos de Deus? E se eu penso Deus como essa possibilidade universal do engano, então ao pensar, por causa do pensamento, que eu sou e ao assegurar a minha própria existência como objeto a partir do pensamento, talvez eu não esteja senão me enganando, exatamente obedecendo a esta potência universal do falso e fazendo algo assim como se o arco-íris, exatamente pelo fato de aparecer, possa reivindicar para si uma existência como algo concreto, como algo substancial. Então, da mesma forma como o arco-íris não deixa de ser ou não deixa de aparecer sem efetivamente ser alguma, muito provavelmente a ilusão cartesiana do ego é da mesma natureza, ou seja, parece para mim que eu sou algo, mas na verdade eu não sou senão uma pura superfície.