História, Política

Primo Levi: Carta para Adolf Eichmann

Para Adolf Eichmann

Corre livre o vento por nossas planícies,

Eterno pulsa o mar vivo em nossas praias.

O homem semeia a terra, a terra lhe dá flores e frutos:

Vive em ânsia e alegria, espera e teme, procria ternos filhos.

… E você chegou, nosso precioso inimigo,

Você, criatura deserta, homem cercado de morte.

O que saberá dizer agora, diante de nossa assembleia?

Jurará por um deus? Mas que deus?

Saltará contente sobre o túmulo?

Ou se lamentará, como o homem operoso por fim se lamenta,

A quem a vida foi breve para tão longa arte,

De sua terrível arte incompleta,

Dos treze milhões que ainda vivem?

Ó filho da morte, não lhe desejamos a morte.

Que você viva tanto quanto ninguém nunca viveu;

Que viva insone cinco milhões de noites,

E que toda noite lhe visite a dor de cada um que viu

Encerrar-se a porta que barrou o caminho de volta,

O breu crescer em torno de si, o ar carregar-se de morte.

___________________________________

Em 1960, o escritor italiano Primo Levi, sobrevivente de Auschwitz e o melhor tradutor do horror nazista, dirigiu uma “carta” a Adolf Eichmann. Na poesia, Levi deseja que Eichmann, um dos organizadores do Holocausto, “viva tanto quanto ninguém nunca viveu: que viva insone cinco milhões de noites”.

É possível ver Bolsonaro nessas palavras, o coveiro das vítimas de covid-19 no campo de concentração do Brasil.

Descoberto na Argentina em 1960, Eichmann foi julgado e enforcado em Israel.

Fonte: Diário do Centro do Mundo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s