por Jean Baudrillard | trad.: Estela dos Santos Abreu

Se fosse caracterizar o atual estado de coisas, eu diria que é o da pós-orgia. A orgia é o momento explosivo da modernidade, o da liberação em todos os domínios. Liberação política, liberação sexual, liberação das forças produtivas, liberação das forças destrutivas, liberação da mulher, da criança, das pulsações inconscientes, liberação da arte. Assunção de todos os modelos de representação e de todos os modelos de anti-representação. Total orgia de real, de racional, de sexual, de crítica e de anticrítica, de crescimento e de crise de crescimento. Percorremos todos os caminhos da produção e da superprodução virtual de objetos, de signos, de mensagens, de ideologias, de prazeres. Hoje, tudo está liberado, o jogo está feito e encontramo-nos coletivamente diante da pergunta crucial: O QUE FAZER APÓS A ORGIA?

Só podemos agora simular a orgia e a liberação, fingir que prosseguimos acelerando, mas na realidade aceleramos no vácuo, porque todas as finalidades da liberação já ficaram para trás, e o que nos preocupa, o que nos atormenta é essa antecipação de todos os resultados, a disponibilidade de todos os signos, de todas as formas, de todos os desejos. Que fazer então? Isso é o estado de simulação, aquele em que só podemos repetir todas as cenas porque elas já aconteceram – real ou virtualmente. É o estado da utopia realizada, de todas as utopias realizadas, em que é preciso paradoxalmente continuar a viver como se elas não o estivessem. Mas, já que o estão e já que não podemos ter a esperança de realizá-las, só nos resta hiper-realizá-las numa simulação indefinida. Vivemos na reprodução indefinida de ideais, de fantasmas, de imagens, de sonhos que doravante ficaram para trás e que, no entanto, devemos reproduzir numa espécie de indiferença fatal.

No fundo, a revolução já aconteceu em toda parte, mas não do modo como se esperava. Em toda parte, o que foi liberado o foi para passar à pura circulação, para entrar em órbita. Com certo recuo, pode-se dizer que o fim inelutável de toda a liberação é fomentar e alimentar as redes. As coisas liberadas são fadadas à comutação incessante e, portanto, à indeterminação crescente e ao princípio de incerteza.

Nada mais (nem mesmo Deus) desaparece pelo fim ou pela morte, mas por proliferação, contaminação, saturação e transparência, exaustão e exterminação, por epidemia de simulação, transferência na existência segunda da simulação. Já não há modo fatal de desaparecimento, mas sim um modo fractal de dispersão.

Nada mais se reflete de fato, nem em espelho, nem em abismo (que nada mais é que o desdobramento infinito da consciência). A lógica da dispersão viral das redes já não é a do valor nem a da equivalência. Já não há revolução, mas circunvolução, uma involução do valor. Ao mesmo tempo, uma compulsão centrípeta bem como uma excentricidade de todos os sistemas, uma metástase interna, uma auto-virulência febril que os leva a explodir além de seus próprios limites, a ultrapassar a própria lógica, não na pura tautologia mas num aumento de força, numa potencialização fantástica em que eles arriscam a própria perda.

Todas essas peripécias nos fazem retornar ao destino do valor. Eu havia invocado outrora, num obscuro intento de classificação, uma trilogia do valor. Um estádio natural do valor de uso, um estádio mercantil do valor de troca, um estádio estrutural do valor-signo. Uma lei natural, uma lei mercantil, uma lei estrutural do valor. É claro que essas distinções são formais, mas é como os físicos que inventam a cada mês uma nova partícula. Uma não expulsa a outra: elas sucedem-se e adicionam-se numa trajetória hipotética. Vou, portanto, aqui acrescentar uma nova partícula à micro-física dos simulacros. Depois do estádio natural, do estádio mercantil, do estádio estrutural, eis que chega o estádio fractal do valor. Ao primeiro correspondia um referente natural, e o valor desenvolvia-se em relação com o uso natural do mundo. Ao segundo correspondia um equivalente geral, e o valor desenvolvia-se em referência a uma lógica da mercadoria. Ao terceiro corresponde um código, e o valor aí se desenvolve em referência a um conjunto de modelos. No quarto estádio, o estádio fractal, ou estádio viral, ou ainda estádio irradiado do valor, já não há nenhuma referência: o valor irradia em todas as direções, em todos os interstícios, sem referência ao que quer que seja, por pura contiguidade. No estádio fractal, já não há equivalência, nem natural nem geral, nem há lei do valor propriamente dita: só há uma espécie de epidemia do valor, de metástase geral do valor, de proliferação e de dispersão aleatória. Em rigor, já não se deveria falar de valor, já que essa espécie de demultiplicação e de reação em cadeia torna impossível qualquer avaliação. Mais uma vez é como na microfísica: é tão impossível calcular em termos de belo ou feio, de verdadeiro ou falso, de bem ou mal, quanto calcular ao mesmo tempo a velocidade e a posição de uma partícula. O bem já não é perpendicular ao mal, nada mais se coloca em abscissas e ordenadas. Cada partícula segue seu próprio movimento, cada valor ou fragmento de valor brilha por um instante no firmamento da simulação para desaparecer no vácuo, segundo uma linha quebrada que só excepcionalmente encontra a dos outros. É o esquema peculiar ao fractal; é o esquema atual de nossa cultura.

Quando as coisas, os signos, as ações são liberadas de sua ideia, de seu conceito, de sua essência, de seu valor, de sua referência, de sua origem e de sua finalidade, entram numa auto-reprodução ao infinito. As coisas continuam a funcionar ao passo que a ideia delas já desapareceu há muito. Continuam a funcionar numa indiferença total a seu próprio conteúdo. E o paradoxo é que eles funcionam melhor ainda.

Assim, a ideia de progresso desapareceu, mas o progresso continua. A ideia de riqueza que sustenta a produção desapareceu, mas a produção continua firme. Ao contrário, ela acelera-se à medida que se torna indiferente a suas finalidades de origem. Do aspecto político, pode-se dizer que a ideia desapareceu, mas que o jogo político continua numa indiferença secreta a seu próprio desafio. Da televisão, pode-se dizer que ela se passa numa indiferença total a suas próprias imagens (ela poderia continuar assim até na hipótese do desaparecimento do homem). Haveria em todo o sistema, em todo o indivíduo, a pulsão secreta de livrar-se de sua própria ideia, de sua própria essência, para conseguir proliferar em todos os sentidos, para extrapolar em todas as direções? Mas as consequências dessa dissociação só podem ser fatais. Qualquer coisa que perca a própria ideia é como o homem que perdeu a sombra – cai num delírio em que se perde.

Aqui começa a ordem, ou a desodem metastática, de demultiplicação por contiguidade, de proliferação cancerosa (que já não obedece nem ao código genético do valor). Esmaece então de certa forma em todos os domínios a grande aventura da sexualidade, dos seres sexuados – em proveito do estádio anterior (?) dos seres imortais e assexuados, reproduzindo-se como os protozoários, por simples divisão do Mesmo e declinação do código. Os seres tecnológicos atuais, as máquinas, os clones, as próteses, todos eles tendem para esse tipo de reprodução e, lentamente, induzem o mesmo processo nos seres chamados humanos e sexuados. Todas as tentativas atuais, entre as quais a pesquisa biológica de vanguarda, tendem para a elaboração dessa substituição genética, de reprodução sequencial linear, de clonagem, de partenogênese, de pequenas máquinas celibatárias.

Na época da liberação sexual, a palavra de ordem foi “o máximo de sexualidade com o mínimo de reprodução”. Hoje, o sonho de uma sociedade clônica seria o inverso: o máximo de reprodução com o mínimo possível de sexo. Outrora o corpo foi a metáfora da alma; depois foi a  metáfora do sexo; hoje já não é mais metáfora de coisa nenhuma. É o lugar da metástase, do encadeamento maquínico de todos os seus processos, de uma programação infinita sem organização simbólica, sem objetivo transcendente, na pura promiscuidade consigo mesmo, que é também a das redes e dos circuitos integrados.

A possibilidade da metáfora desaparece em todos os domínios. Isso é um aspecto da transexualidade geral que se estende bem além do sexo – a todas as disciplinas, uma vez que elas perdem o caráter específico e entram num processo de confusão e de contágio, num processo viral de indiscriminação, que é o acontecimento primeiro de todos os nossos acontecimentos novos. A economia tornada transeconomia, a estética tornada transestética, o sexo tornado transexual, convergem todos para um processo transversal e universal em que nenhum discurso mais pode ser a metáfora de outro, já que, para que haja metáfora, é preciso que haja campos diferenciais e objetos distintos. Ora, a contaminação de todas as disciplinas põe fim a essa possibilidade. Metonímia total, viral por definição (ou por indefinição). O tema viral não é uma transposição da área biológica, pois tudo é atingido ao mesmo tempo e com os mesmos direitos pela virulência, pela reação em cadeia, pela propagação aleatória e insana, pela metástase. Talvez nossa melancolia venha daí, porque a metáfora ainda era bela, estética, jogava com a diferença e com a ilusão da diferença. Hoje, a metonímia (a substituição do conjunto e dos elementos simples, a comutação geral dos termos) instala-se sobre a desilusão da metáfora.

Contaminação respectiva de todas as categorias, substituição de uma esfera por outra, confusão de gêneros. Assim o sexo já não está no sexo mas em toda parte. O político já não está no político mas infecta todos os domínios: a economia, a ciência, a arte, o esporte… O esporte já não está no esporte – está nos negócios, no sexo, na política, no estilo geral da performance. Tudo está afetado pelo coeficiente esportivo de excelência, de esforço, de recorde e de auto-superação infantil. Cada categoria passa assim por uma transição de fase, em que sua essência se dilui em doses homeopáticas, a seguir infinitesimais, na solução de conjunto, até desaparecer e não deixar senão um vestígio indistinto como na memória da água.

Assim, a Aids corresponde menos a um excesso de sexo e gozo do que a uma descompensação sexual por infiltração geral em todos os domínios da vida, a essa ventilação do sexo em todas as variantes triviais da encantação sexual. É em todo o sexual que a imunidade se perde, que se perde a diferença sexual e, por isso, a própria sexualidade. É nessa difração do princípio de realidade sexual, no nível fractal, micrológico e desumano, que se instala a confusão elementar da epidemia.

Talvez ainda guardemos a memória do sexo como a água guarda a das moléculas infinitamente diluídas; mas, justamente, não passa de uma memória molecular, a memória corpuscular de uma vida anterior; não é a memória das formas nem das singularidades (os traços de um rosto, a cor dos olhos, será que a água pode guardar a forma deles?). Assim guardamos a marca de uma sexualidade sem rosto, infinitamente diluída no caldo de cultura político, midiático, comunicacional e, enfim, no desencadeamento viral da Aids.

A lei que nos é imposta é a da confusão dos gêneros. Tudo é sexual. Tudo é político. Tudo é estético. Simultaneamente. Tudo tomou sentido político, principalmente depois de 1968: a vida cotidiana e também a loucura, a linguagem, a mídia, assim como o desejo, tornam-se políticos à medida que entram na esfera da liberação e dos processos coletivos de massa. Ao mesmo tempo, tudo tornou-se sexual, tudo é objeto de desejo: o poder, o saber, tudo se interpreta em termos de fantasmas e de recalque, o estereótipo sexual está em tudo. Ao mesmo tempo, tudo se estetiza: a política se estetiza no espetáculo, o sexo na publicidade e na pornografia, o conjunto das atividades naquilo que se convencionou chamar cultura, espécie de semiologização midiática e publicitária que invade tudo – o grau Xerox da cultura. Cada categoria é levada a seu mais alto grau de generalização e, por isso, perde toda a especificidade e se desfaz em todas as outras. Quando tudo é político, nada mais é político, e a palavra já não tem sentido. Quando tudo é sexual, nada mais é sexual, e o sexo perde toda a determinação. Quando tudo é estético, nada mais é belo nem feio, e a própria arte desaparece. Esse estado de coisas paradoxal, que é ao mesmo tempo a realização total de uma ideia, a perfeição do movimento moderno bem como sua recusa, sua liquidação por excesso, pela extensão além dos próprios limites, pode ser retomado numa mesma figura: transpolítica, transexual, transestética.

Já não há vanguarda política, sexual nem artística que corresponda a uma capacidade de antecipação, logo, a uma possibilidade de crítica radical em nome do desejo, em nome da revolução, em nome da liberação das formas. Esse movimento revolucionário passou. O movimento glorioso da modernidade levou não a uma transmutação de todos os valores, como havíamos sonhado, mas a uma dispersão e involução do valor, cujo resultado é para nós a confusão total, a impossibilidade de retomar o princípio de uma determinação estética, tanto quanto sexual ou política, das coisas.

O proletariado como tal não conseguiu negar-se – é a evidência de um século e meio de história desde Marx. Não conseguiu negar-se como classe e, por isso mesmo, não conseguiu abolir a sociedade de classes. Talvez porque ele não fosse uma classe, como foi dito, e que só a burguesia fosse uma verdadeira classe e, portanto, só ela como tal pudesse negar-se. O que de fato ela fez, e o capital junto com ela, gerando uma sociedade sem classes mas bem diferente da que teria resultado de uma revolução e da negação do proletariado como tal. O proletariado simplesmente desapareceu. Desfez-se junto com a luta de classes. Não há dúvida de que, se o capital se tivesse desenvolvido segundo sua própria lógica contraditória, teria sido desfeito pelo proletariado. A análise de Marx continua idealmente indiscutível. Ela só não havia previsto a possibilidade de o capital, diante da ameaça iminente, transpolitizar-se de certa forma, colocar-se em órbita além das relações de produção e das contradições políticas, autonomizar-se de modo flutuante, arrebatado e aleatório, e, assim, totalizar o mundo e a sua imagem. O capital (se é que ainda se pode chamá-lo assim) não leva em consideração a economia política nem a lei do valor: é nesse sentido que ele consegue escapar a seu próprio fim. Funciona doravante além de suas próprias finalidades e de maneira totalmente irreferencial. O acontecimento inaugural dessa mutação foi decerto a crise de 1929; o craque de 1987 é apenas um episódio ulterior do mesmo processo.

Na teoria revolucionária, havia também a utopia viva do desaparecimento do Estado, do político negando-se como tal, na apoteose e na transparência do social. Não foi nada assim. O político desapareceu, mas sem transcender no social; ao desaparecer, ele arrastou consigo o social. Estamos no transpolítico, isto é, no grau zero do político, que é também o de sua reprodução e de sua simulação indefinida. Pois tudo o que não foi além de si mesmo tem direito a um renascer sem fim. Logo, o político nunca acabará de desaparecer, mas não deixará que surja algo em seu lugar. Estamos na histerese do político.

Também a arte não conseguiu, de acordo com a utopia estética dos tempos modernos, transcender-se como forma ideal de vida (antes ela não tinha de ultrapassar-se para uma totalidade, pois esta já estava lá e era religiosa). Ela aboliu-se não numa idealidade transcendente, mas numa estetização geral da vida cotidiana; desapareceu em proveito de uma circulação pura das imagens, numa transestética da banalidade. A arte até precede o capital  nessa peripécia. Se o episódio político decisivo foi a crise estratégica de 1929, pela qual o capital chega à esta transpolítica das massas, o episódio crucial na arte foi sem dúvida Dada e Duchamp, no qual a arte, ao negar sua própria regra do jogo estético, chega à era transestética da banalidade das imagens.

A utopia sexual também não se realizou. Aquela teria consistido para o sexo em negar-se como atividade separada e realizar-se como vida total – o que ainda constitui o sonho da liberação sexual: totalidade do desejo e de sua realização em cada um de nós, masculino e feminino ao mesmo tempo, sexualidade sonhada, assunção do desejo além da diferença dos sexos. Ora, através da liberação sexual, a sexualidade só conseguiu autonomizar-se como circulação indiferente dos signos do sexo. Se estamos mesmo em via de transição para uma situação transexual, esta assemelha-se não a uma revolução da vida pelo sexo, mas a uma confusão e uma promiscuidade que levam à indiferença virtual do sexo.

O êxito da comunicação e da informação seria, do mesmo modo, resultante da impossibilidade que a relação social tem de superar-se como relação alienada? Na falta disso, ela redobra-se na comunicação, multiplica-se na multiplicidade das redes e cai na indiferença das redes. A comunicação é o mais social que o social, é o hiper-relacional, a sociabilidade superativada pelas técnicas do social. Ora, o social em essência não é isso. Foi um sonho, um mito, uma utopia, uma forma conflituosa e contraditória, forma violenta, em todo o caso um acontecimento intermitente e excepcional. A comunicação, ao banalizar a interface, leva a forma social à indiferença. É por isso que não há utopia da comunicação. A utopia de uma sociedade comunicacional não tem sentido, já que a comunicação resulta precisamente da incapacidade de uma sociedade superar-se para outros fins.  O mesmo acontece com a informação: o excesso de conhecimento dispersa-se indiferentemente na superfície em todas as direções, mas ele só comuta. Na interface, os interlocutores estão ligados entre si como o plugue na tomada elétrica. “Isso” comunica, como se diz, por uma espécie de circuito único, instantâneo; e, para que comunique bem, é preciso que ande depressa, não há tempo para o silêncio. O silêncio é banido das telas, banido da comunicação. As imagens midiáticas (e os textos midiáticos são como as imagens) nunca se calam; imagens e mensagens devem suceder-se sem interrupção. Ora, o silêncio é justamente a síncope no circuito, a ligeira catástrofe, o lapso que, na televisão por exemplo, torna-se altamente significativo – ruptura carregada de angústia e de júbilo, verificando que toda essa comunicação é no fundo apenas um enredo forçado, uma ficção ininterrupta que nos supre o vazio, o da tela tanto quanto o da nossa tela mental, do qual espreitamos as imagens com igual satisfação. A imagem do homem sentado, contemplando, num dia de greve, sua tela de televisão vazia, constituirá no futuro uma das mais belas imagens da antropologia do século XX.


Texto publicado em: BAUDRILLARD, Jean. A Transparência do Mal – Ensaio sobre os fenômenos extremos; tradução de Estela dos Santos Abreu – 3ª Edição – Campinas, SP – Papirus, 1996.

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2 comentários em ““Após a orgia”, por Jean Baudrillard

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