30. (…) apenas sentimentos são hereditários, não pensamentos (…).

09. (…) a moralidade não é outra coisa (e, portanto, não mais!) do que obediência a costumes, não importa quais sejam; mas costumes são a maneira tradicional de agir e avaliar. (…) O que é a tradição? Uma autoridade superior, a que se obedece não porque ordena o que nos é útil, mas porque ordena. — O que distingue esse sentimento ante a tradição do sentimento do medo? Ele é o medo ante um intelecto superior que manda, ante um incompreensível poder indeterminado, ante algo mais do que pessoal — há superstição nesse medo. — (…)

19. Moralidade e estupidez. — O costume representa as experiências dos homens passados acerca do que presumiam ser útil ou prejudicial — mas o sentimento do costume (moralidade) não diz respeito àquelas experiências como tais, e sim à idade, santidade, indiscutibilidade do costume. E assim este sentimento é um obstáculo a que se tenham novas experiências e se corrijam os costumes: ou seja, a moralidade opõe-se ao surgimento de novos e melhores costumes: ela torna estúpido.

35. Os sentimentos e sua derivação dos preconceitos. ― “Confie no seu sentimento!” ― Mas sentimentos não são nada de último, nada de original; por trás deles estão juízos e valorações, que nos são legados na forma de sentimentos (inclinações, aversões). A inspiração nascida de um sentimento é neta de um juízo ― frequentemente errado! ― e, de todo modo, não do teu próprio juízo! Confiar no sentimento ― isto significa obedecer mais ao avô e à avó, e aos avós deles do que aos deuses que se acham em nós: nossa razão e nossa experiência.

99. Em que coisa somos todos irracionais. — Ainda tiramos conclusões de juízos que consideramos errados, de doutrinas em que não mais acreditamos — por meio de nossos sentimentos.

101. Digno de reflexão. — Aceitar uma crença porque é costume — mas isto significa: ser falso, ser covarde, ser preguiçoso! — Então falsidade, covardia e preguiça poderiam ser pressupostos da moralidade?

103. (…) Não nego, como é evidente – a menos que eu seja um tolo –, que muitas ações consideradas imorais devem ser evitadas e combatidas; do mesmo modo, que muitas consideradas morais devem ser praticadas e promovidas – mas acho que, num caso e no outro, por razões outras que as de até agora. Temos que aprender a pensar de outra forma – para enfim, talvez bem mais tarde, alcançar ainda mais: sentir de outra forma.

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